Atendimento pediátrico no SUS enfrenta alta de doenças respiratórias e saúde mental em SC

Florianópolis (SC)

O atendimento pediátrico e juvenil no Sistema Único de Saúde enfrenta aumento da complexidade assistencial e sobrecarga hospitalar em Santa Catarina. De acordo com o Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado em janeiro de 2026, a incidência de síndrome respiratória aguda por Sars-CoV-2 e influenza A permanece mais elevada entre crianças pequenas.

Além dos períodos sazonais de síndromes respiratórias, hospitais do estado relatam mudanças no perfil dos pacientes, com crescimento de doenças crônicas e aumento das demandas em saúde mental.

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O presidente da Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina, Maurício José Souto-Maior, afirma que o cuidado com pacientes jovens requer escuta ativa, respeito à autonomia em desenvolvimento e comunicação adequada à faixa etária, a fim de fortalecer o vínculo e a adesão ao tratamento. Ele ressalta que, no âmbito hospitalar, é necessário estruturar linhas de cuidado com integração entre os níveis de atenção. “Quando falamos de atendimento pediátrico e juvenil, precisamos de linhas de cuidado bem estruturadas, com a Atenção Primária coordenando o fluxo e os hospitais atuando com suporte especializado”, destaca.

Souto-Maior também aponta o impacto da transição epidemiológica. “Estamos lidando com pacientes mais complexos, com doenças crônicas e demandas em saúde mental que exigem equipes multiprofissionais e maior tempo de acompanhamento, aspectos que precisam ser considerados no planejamento e no financiamento do sistema”, afirma.

Como exemplo, ele cita o Hospital Seara do Bem Materno e Infantil, em Lages, instituição filantrópica associada à AHESC e à FHESC. A unidade atende cerca de 90% dos pacientes pelo SUS e é referência hospitalar para 18 municípios da região serrana.

A diretora do hospital, Fernanda de Matia, afirma que a realidade assistencial demonstra a complexidade do cuidado com crianças e adolescentes. “Atendemos cerca de 3.200 pacientes por mês e precisamos de equipes preparadas para acolher, comunicar e acompanhar de forma integral, respeitando cada fase do desenvolvimento e mantendo a família como parte do processo terapêutico”, relata.

A presidente da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina, irmã Neusa Lúcio Luiz, afirma que o papel estratégico de instituições como o hospital é garantir a continuidade do cuidado. “É necessário assegurar o envio de relatórios de alta, comunicação direta com as Unidades Básicas de Saúde e integração com serviços especializados, como os CAPS infantojuvenis, ambulatórios e assistência social. Manter essa estrutura exige equipes qualificadas, leitos especializados e previsibilidade de recursos”, explica.

Na avaliação da dirigente, fortalecer o SUS demanda integração entre os diferentes níveis de atenção, valorização da atenção básica, planejamento orientado por indicadores epidemiológicos, ampliação de equipes multiprofissionais e garantia de financiamento adequado. Segundo ela, qualificar a organização do cuidado infantojuvenil, com gestão eficiente e sustentabilidade financeira, é estratégico para responder às novas demandas assistenciais e assegurar atendimento seguro às próximas gerações.

 


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